desportivismo, estao a destruir o futebol”
Vitéria portuguesa, indignacao no bancoPortugal venceu o Uzbequistdo por 5-0 numa noite que, a primeira vista, deveria
ser lembrada apenas pela autoridade, pela qualidade ofensiva e pela resposta
convincente da selegdo nacional no Mundial.
Mas, ap6s o apito final, o resultado acabou por dividir espago com uma
intervengao durissima de Roberto Martinez, visivelmente indignado com aquilo
que considerou uma arbitragem permissiva e uma atitude inaceitavel por parte de
alguns elementos adversarios.
O selecionador portugués ndo procurou suavizar palavras.
Pelo contrario: entrou na sala de imprensa com o tom de quem carregava mais do
que a andlise de um jogo.
“Quero deixar isto absolutamente claro: ja vi de tudo no futebol ao longo da minha
carreira, mas nunca testemunhei algo tdo irresponsavel, tdo tendencioso e tdo
descaradamente tolerado como o que aconteceu esta noite”, afirmou Martinez,
abrindo uma declaragdo que rapidamente se transformou num dos momentos
mais fortes deste Mundial.
A entrada que incendiou a noite
O momento que mais irritou o técnico portugués tera sido uma entrada dura sobreum jogador da equipa nacional.
Para Martinez, ndo se tratou de um lance normal de disputa, nem de uma agdo
motivada pela intensidade do jogo.
“Aquela entrada n&o foi um lance dividido nem um impulso do momento — foi uma
agdo completamente deliberada.
O jogador abandonou qualquer intengdo de disputar a bola e foi diretamente ao
adversario”, acusou.
A indignag&o do selecionador aumentou, segundo as suas palavras, pelo
comportamento posterior.
Martinez falou em provocagdes, sorrisos e celebragdes, elementos que, na sua
leitura, revelaram uma falta de respeito incompativel com o nivel competitivo de
um Mundial.
“O que aconteceu depois foi ainda mais revoltante: provocagdes, sorrisos,
celebragdes e uma atitude que revelou exatamente o tipo de carater que existia do
outro lado”, disparou.
Criticas diretas a arbitragem e a FIFA
Mais do que criticar um lance isolado, Roberto Martinez apontou o dedo aocontrolo disciplinar da partida.
O treinador portugués considerou que a arbitragem perdeu autoridade em
momentos decisivos e permitiu que o jogo entrasse numa zona perigosa.
“A FIFA, aos responsaveis da arbitragem e a todos os que defendem o futebol:
todos vimos os apitos tardios, as decisdes inconsistentes, os lances revistos de
forma seletiva e a preocupante normalizagdo de um futebol violento e sem
disciplina”, declarou.
A frase mais forte viria logo depois, quando Martinez colocou em causa a
distancia entre o discurso oficial das instituigdes e aquilo que, segundo ele,
aconteceu dentro de campo.
“Falam constantemente de protegdo dos jogadores, respeito e integridade, mas,
na pratica, continuam a fechar os olhos quando as faltas mais perigosas
acontecem.
Se este € o vosso conceito de desportivismo, entdo estdo a destruir os proprios
valores que dizem defender.”
Orgulho na equipa, mas sabor amargo
Apesar da irritagdo, Martinez fez questéo de valorizar a exibi¢ao portuguesa.Portugal dominou, marcou cinco golos e deu um passo importante na fase de
grupos.
O treinador destacou a personalidade da equipa, a disciplina coletiva e a forma
como os jogadores mantiveram o foco mesmo num ambiente que considerou
adverso.
“Esta noite, Portugal derrotou o Uzbequistdo por 5-0 numa exibigdo de enorme
qualidade, e sinto um orgulho imenso pela personalidade demonstrada pela minha
equipa”, afirmou.
Para o selecionador, o triunfo foi justo e inquestionavel, mas ndo suficiente para
apagar a preocupagao deixada por determinados momentos do encontro.
“Dominamos o jogo, conquistamos uma vitéria merecida e demos mais um passo
importante no Mundial.
Mas esse resultado ndo apaga a sensagdo amarga provocada por uma arbitragem
que, em varios momentos, perdeu completamente o controlo da partida.”
Um aviso para o resto do Mundial
O discurso de Martinez terminou em tom de alerta.
O técnico recusou a ideia de que as suas palavras fossem fruto de frustragdo.
Afinal, Portugal venceu por 5-0.
Para ele, a questdo é maior: trata-se da seguranga dos jogadores e da
credibilidade da competigao.
“Isto ndo € uma questdo de frustragdo nem de procurar desculpas.
E uma questéo de proteger a integridade do futebol”, sublinhou.
Martinez deixou ainda uma adverténcia clara as entidades responsaveis: se a
violéncia continuar a ser normalizada, o prego podera ser pago pelos atletas.
“Se quem dirige o jogo continuar a ignorar este tipo de comportamento, mais cedo
ou mais tarde serdo os proprios jogadores a pagar o prego dentro de campo.
E, nesse dia, sera tarde demais para fingirem que ninguém avisou.”
Numa noite em que Portugal confirmou a sua forga dentro das quatro linhas,
Roberto Martinez decidiu jogar também fora delas.
A goleada colocou a selegdo numa posigéo favoravel no Mundial, mas a
conferéncia de imprensa deixou outra marca: a de um treinador que, mesmo
depois de vencer por margem larga, se recusou a silenciar aquilo que considera
uma ameaga ao futebol.
O Mundial continua, Portugal cresce, mas a mensagem ficou no ar.
Para Martinez, vencer ndo basta quando a integridade do jogo esta em causa.




